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domingo, 10 de março de 2013

Adormecida, Anne Sheehan


Sinopse: Rose Fitzroy esteve dormindo por décadas. Imersa num sono induzido, esquecida em um porão por mais de 60 anos, a jovem foi tratada como desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como que por encanto e descobrindo ser herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência.
Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir seu lugar à frente dos negócios.
Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa estranhamente familiar. Rose até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo ou não haverá futuro.


Anne Sheehan fez algo inovador em Adormecida. Transformou a ideia central do conto da Bela Adormecida em algo pretencioso e distópico.

Rose fica anos em extase, um tipo de sono induzido a partir de uma cápsula protetora, (me lembrei do Sayoran em Tsubasa Chronicle, mas não vem ao caso) e é despertada por engano, quando um residente do condomínio tropeça na sua cápsula, perdida numa sala há anos, e faz a reativação por engano.

A narrativa é em primeira pessoa, como na maioria dos YA. Rose narra sua infância e conta suas experiências precoces com a cápsula de sono, sua relação com os pais e seu relacionamento com Xavier, um menino que viu nascer e se tornou seu namorado, antes de despertar, é claro.

Rose sempre ficou muito tempo em extase. Seus pais viajavam e a colocavam na cápsula, iam para uma festa e a entubavam, como uma mãe coloca um filho para dormir, só que de um jeito macabro. Rose ficava semanas, meses e até anos em extase. Até que um dia, os pais não voltaram para despertá-la e ela acordou 70 anos depois, percebeu que todos estavam mortos e que ela era herdeira de um imperío milionário.

Ambicioso? Sim.

Além da premissa de um conto futurista, Adormecida tem a pitada certa de distopia misturada com FC adolescente: romances, tecnologias inovadoras, sistema dominador, alienígenas que sofrem opressão etc.

Bem desenvolvido? Em partes.

Anne Sheehan deixa espaço para continuações. Adormecida é a introdução. Somos apresentados a Rose e descobrimos seu passado e suas dificuldades em lidar com o presente. No final da narrativa, concluimos que Adormecida é o primeiro livro de uma série. Espero que a continuação não demore muito, uma vez que foi a curiosidade que surgiu ao final da leitura que me conquistou.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Anna e o Beijo Francês, Stephanie Perkins



Sinopse da editora:  Anna Oliphant não está nada entusiasmada com a ideia de se mudar para Paris. Porém, seu pai, um famoso escritor norte-americano, decidiu enviá-la para um colégio interno na Cidade Luz. Anna prefere ficar em Atlanta, onde tem um bom emprego, sua fiel melhor amiga e um namoro prestes a acontecer. Mas, ao chegar a Paris, ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz inteligente, charmoso e bonito, que além de muitas qualidades, tem uma namorada...
Anna e Étienne se aproximam e as coisas ficam mais complicadas. Será que um ano inteiro de desencontros em Paris terminará com o esperado beijo francês? Ou certas coisas simplesmente não estão destinadas a acontecer?


Anna, a protagonista, é enviada (contra à vontade pelo pai) para um colégio interno em Paris. E é em Paris, a cidade maravilhosa, o local em que Anna descobre o amor, faz amigos e vive a vida, com suas alegrias e desapontamentos.

Anna e o Beijo Francês (Novo Conceito, R$ 24,90) é um YA bem leve e descontraído. Stephanie Perkins não é uma escritora ambiciosa e visionária, sua narrativa é pobre, nada de maravilhosamente bem escrita, mas, ao mesmo tempo é simples e divertida. É o tipo de livro que você termina e pensa "Uau! Que história fofa!". Não tem como não torcer para a amizade de Anna e St. Clair, seu melhor amigo, se tornar algo mais.

No início da leitura pensei que fosse mais um livro com romance açucarado e dramático, mas não é. É fofo e só.

Estou um pouco cansada das protagonistas de romances YA, parece que os pré-requisitos de todas são a insegurança e a chatice. Anna é um pouco insegura, mas não do tipo que dá vontade de matar.

Enfim, o livro é bom  para descansar a mente de leituras mais complexas.

Vou resenhar mais alguns YA que li em janeiro e depois vou dar um tempo nas leituras desse segmento.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desafio Literário 2013: Sussurro, Becca Fitzpatrick


Sussurro (Intrínseca, 264 páginas, R$29,90) é o primeiro livro da série Hush Hush, de autoria de Becca Fitzpatrick.
Não foi minha primeira leitura de 2013. Decidi lê-lo para uma reunião de um clube do livro que pretendo participar e aproveitei para resenhá-lo no Desafio Literário 2013.
Sinopse oficial: Nora é uma menina responsável. Aos 17 anos, ela tira boas notas e sempre avisa à mãe aonde vai e o que está fazendo. Nem mesmo garotos a fazem perder o foco nos estudos. Até porque, apesar das tentativas de sua melhor amiga, Vee, de lhe arrumar um pretendente, ela nunca se interessou por ninguém na escola. Pelo menos não até conhecer Patch, seu novo colega na aula de biologia. Ele parece estar em todos os lugares e saber tudo sobre ela. Seu jeito ao mesmo tempo sedutor e perigoso faz com que Nora fique imediatamente intrigada. E encantada.

É então que eventos estranhos começam a acontecer. Um homem usando uma máscara de esqui salta diante de seu carro, seu quarto é invadido e aparentemente alguém está tentando matá-la. Nora não sabe em quem confiar. Quando Vee conhece dois novos rapazes e tenta arranjar um encontro, as coisas só pioram. Nora está assustada a maior parte do tempo. Patch é o da máscara de esqui? Ou será Elliot, o novo garoto com quem Vee quer que ela saia?

Em sua busca por respostas, Nora está prestes a se descobrir no centro de uma batalha ancestral entre seres imortais e anjos caídos - uma disputa que não se resolverá sem sacrifícios.
Nora é a adolescente típica dos YA da atualidade. Tem uma beleza comum, é um pouquinho inteligente, insegura, desconfiada, tenta em vão resistir a seus desejos, se mostra desinteressada no começo da narrativa, mas é fisgada por Patch, seu novo parceiro nas aulas de Biologia. Nora tem uma melhor amiga sem noção, Vee, que mais parece amiga da onça.
Patch, o affair de Nora, é um personagem estranho e não pelo fato de ele ser um anjo que caiu do Paraíso por cobiçar a raça humana. Patch é estranho porque não tem uma finalidade na narrativa. Ele não é bom, tampouco é mal, sua única intenção é cobiçar. Patch cobiça Nora, cobiça os sentimentos da raça humana, cobiça os Nephelim por possuírem poderes divinos e serem humanos, enfim, é cobiça que não acaba mais. Tive a sensação de que a autora tentou deixá-lo atraente para seu público leitor, mas só o que ela conseguiu foi criar um personagem convencido, arrogante e mal construído.
No meio dessa tormenta de sentimentos recém-descobertos, Nora começa a ser perseguida por um estranho com máscara de esqui (oi?). Vee é atacada. E adivinhem quem é o primeiro suspeito? Patch. O bad boy arrogante e misterioso.
Depois, como a própria sinopse mostra, Nora e Vee conhecem dois garotos, Elliot e Jules. As duas logo começam a sair com os dois, até Nora descobrir algo sobre o passado de Elliot e começar a desconfiar dele também. Nesse meio tempo, Nora passa por coisas previsíveis, descobre o passado de Patch, um pouco sobre seu próprio passado e descobre também o grande mistério do livro.
O final é previsível, um pouco antes do desfecho (que é o grande clímax da obra), a autora nos conta um detalhe sobre Patch e a partir daí, o final feliz se torna nítido.
O livro tem seus momentos bons. Gostei de algumas partes específicas, como as do professor de Biologia e o prólogo. A narrativa é rápida, feita somente para entreter e o vocabulário é bem simples.
 Não gostei de como a autora fez uso d’O Livro de Enoch (falar mais sobre ele seria spoiler, então vou deixá-los curiosos).  A partir do momento que Becca citou esse livro deveria ter sido fiel, pois é uma obra que existe, é palpável, independente de ser ou não ficção. E Becca meio que criou uma coisa em cima de outra, distorceu algo daqui, acrescentou ali, enfim, não me agradou.
Também não gostei da narrativa em primeira pessoa. Acredito que só grandes mestres da literatura conseguem a proeza de construir uma narrativa exemplar em primeira pessoa, o que não é o caso da Fitzpatrick. A narrativa desliza por trechos com fluxo da consciência mal elaborados e diálogos fracos.
Como Sussurro é o primeiro livro de uma série, deixa uma boa dose de informações no ar. Dá curiosidade? Até que dá. Tudo que não é dito gera curiosidade. Vou ler o restante da série? Não sei.
Se eu tivesse de dar uma nota de 0 a 5, daria 2, que considero razoável, já que o livro não é de todo ruim.
Para quem gosta da temática de anjos caídos indico O Paraíso Perdido, de John Milton. E para quem gosta de anjos caídos na literatura infanto-juvenil ou YA´s, indico a série Os Instrumentos Mortais, de Cassandra Clare.
E vocês, leram? Gostaram? Não gostaram? Me contem!