terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sangue, Ossos & Manteiga - Gabrielle Hamilton

Gabrielle Hamilton possui o título de Mestre em Ficção pela Universidade de Michigan e é a chef do restaurante Prune, localizado no East Village em Nova York. Seus artigos sobre culinária já foram publicados em revistas como a New Yorker, Bon Appetit e Food & Wine. O livro Sangue, Ossos & Manteiga - A educação involuntária de uma chef relutante é a sua autobiografia e foi a minha leitura escolhida para o mês de janeiro do Desafio Literário 2012, cuja proposta é a Literatura Gastronômica.

No livro, a autora narra toda a sua trajetória, desde a infância até o nascimento dos seus dois filhos, mostrando como a culinária sempre esteve relacionada com sua vida, acompanhando-a em todos os momentos.

Na infância, Gabrielle morava numa área rural da Pensilvânia, sua casa e de sua enorme família eram as ruínas carbonizadas de uma fábrica de seda do século XIX. Sua mãe, uma mulher francesa, sabia como extrair tudo o que era comestível dos mais diferentes alimentos, evitando desperdícios e alimentando a família com tudo o que tinha no quintal. O pai não cozinhava, trabalhava como cenógrafo e anualmente oferecia uma grande festa para a vizinhança.

Quando seus pais se divorciaram, Gabrielle decidiu sair de casa e acabou perambulando de cidade em cidade, trabalhando em diversos bares e lanchonetes, envolvendo-se com drogas e outras mulheres.

Depois de enfrentar algumas dificuldades, começou a trabalhar como freelancer em bufês e alguns anos mais tarde, finalmente percebeu que tudo o que fez e tudo o que realmente lhe deu prazer na vida envolvia a culinária, assim abriu o Prune, seu próprio restaurante, com trinta mesas super disputadas e uma equipe competente.

No Prune, além de fazer amigos e conquistar a freguesia, Gabrielle conheceu Michele, seu marido italiano e pai de seus dois filhos.

Sangue, Ossos & Manteiga (Rocco, R$ 39,50) é um livro fácil de ler, possui uma narrativa ágil e bem escrita, recheada de pratos franceses e italianos que dão água na boca! No começo da leitura não demonstrei muita simpatia pelo livro e pela autora, mas conforme a leitura foi fluindo, Gabrielle Hamilton acabou me conquistando com sua história, seus objetivos, seu perfeccionismo, sua nova família italiana e principalmente pela descrição minuciosa de todos os pratos preparados e degustados ao longo de sua vida.

Alguns trechos do livro:

" Adoro como se pode romper a vagem da ervilha, puxar o fio e com isso expor uma linha de junção perfeita que pode facilmente ser aberta com a unha. E então você descobre aquelas bolinhas perfeitas, doces e amiláceas no côncavo de um casulo crocante, aguado e quase açucarado."

"Há duas coisas que você não devia nunca fazer com seu pai: aprender a dirigir e aprender a matar uma galinha. Tampouco tenho certeza se você devia sentar-se em frente a ele e comer a galinha assada sob um silêncio ressentido. Mas também fizemos isso, e a carne, como se de propósito, estava desagradávelmente dura."

"Simplesmente pulara no meio do fogo e abrira um restaurante próprio sem nunca ter sido chef em outro."

2 comentários:

Larissa Bohnenberger disse...

Hum, gostei, heim? Adoro histórias autobiográficas! E tô achando uma delícia, esse tema!

Bjs!

Aléxia Roche disse...

Nunca tinha lido nenhuma história autobiográfica, mas realmente gostei da experiência. Esse tema me engorda só de ler! rsrs....


Obrigada pela visita!